A nossa ministra da educação só tem ideias tristes.
Isabel Alçada, nossa ministra da educação resolveu que queria acabar com os chumbos. Tenho andado um bocado desactualizado, mas não reparei em nenhuma notícia precedente que indicasse alguma reforma um pouco mais profunda no sistema educativo (tirando a outra ideia triste de passarem alunos do 8º ano para o 10º, que nem sei se isso foi aprovado, mas penso que li nalgum sitio que foi).
Isto leva-me a crer que a ministra deve ter visitado um dos países do norte da Europa agora nas férias e pensou “Olha, isto até que não era mal pensado, é mais uma forma de mostrarmos alguns números à União Europeia”. É que pelo que me parece (espero estar enganado) isto caiu assim do nada, como se de uma desagradável epifania se tratasse.
Mas de volta ao assunto, acabar com os chumbos é um atentado a todo o trabalho desenvolvido por parte de quem realmente se esforça para passar a um nível seguinte de aprendizagem. A ministra diz que não é uma medida de facilitismo. Eu digo que é melhor consultar o dicionário.
A ideia alternativa é qualquer coisa como acompanhar os alunos a diferentes ritmos de aprendizagem. Ou seja, é bom que os professores se comecem já a manifestar, porque senão quem sai mal disto tudo são eles. Não deve ser nada agradável ter que andar a acompanhar alunos com um ritmo diferente, ritmo esse que não é nenhum sequer, porque não é novidade nenhuma parte dos chumbos não é por dificuldades, é por desinteresse.
Esta metodologia de acompanhamento de ritmos diferentes traria como consequência uma reformulação quase total do sistema de ensino que hoje temos: seriam necessárias mais turmas dentro de cada ano, de cada área. Isto implica que os horários também se alterem e que naturalmente sejam precisos mais professores.
Até que não é uma solução mal pensada se se perspectivar uma redução da taxa de desemprego relativa aos professores, mas o problema que daí advém é que ninguém trabalha à borla. Requer um aumento da despesa pública quando se quer reduzir o défice, e uma vez que os salários dos professores não andam por bons caminhos (baseio-me em queixas constantes que oiço em sala de aula), o mais provável era os professores se encontrarem numa situação pouco agradável: mais horas de trabalho, mais stress a aturar quem não quer fazer nada e talvez nem vêem o salário aumentado.
Depois ainda há outra questão. Esses alunos que andam a um “ritmo diferente” terão as mesmas possibilidades de sucesso no mercado de trabalho? É que quem termina o secundário e não segue nenhum curso superior, não interessa se passa com média de 20 (nesse caso não ir para a universidade seria um erro, mas estou só a hiperbolizar) ou com média de 10, porque o que conta é que acabou o secundário, ou seja, na realidade, estes dois casos bastante distintos são o mesmo.
Este sistema até pode funcionar bem, mas nas sociedades desenvolvidas como é o caso do norte da Europa, nós ainda temos muito que pedalar.
Bem, é melhor findar, porque da injustiça toda que isto seria, dava para escrever mais algumas páginas. Se isto algum dia for aprovado, tenho pena dos professores.
E é isto, Uma Aventura no Ministério da Educação.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
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Sabes o que isto é? É tudo uma tristeza, "pá".
ResponderEliminarO jeito é subjectivo, de facto não é preciso fazer muito para tirar aquelas fotos, é só desfocar a lente, fácil. Mas obrigada ahah.
E quanto ao Nokia 3310, não venhas cá fazer inveja (sim, porque enquanto toda a gente tinha essa maravilha de telemóvel, eu tinha um Sendo, unf).