quarta-feira, 28 de abril de 2010

O prédio do desenvolvimento

Era uma vez um grupo de pessoas, todos eles vizinhos por habitarem no mesmo prédio. Essas pessoas criaram entre si relações pessoais, como compete a cada bom vizinho.

Trocavam conselhos e ideias, tanto acerca de assuntos pessoais, como de situações que se referem ao prédio em si mesmo, sendo debatidas posteriormente em reuniões de condomínio.

Bem, esta vivência assim descrita (ainda que a descrição seja breve) parece desde já um bocado monótona, aborrecida até. Então para isto ter mais cor, pode-se dizer que neste prédio habitam pessoas em situações económicas variadas: uns vivem mais comodamente e outros infelizmente não têm essa sorte de poder ir ao restaurante assim mais regularmente (ainda assim os mais ricos em dinheiro falham na riqueza de espírito…mas também não se pode pedir tudo).

Cada condómino tem o frequente hábito de gastar mais do que recebe. É a ambição, é a necessidade, é a parvoíce, é o que lhe quiserem chamar. O que é certo é que estes défices orçamentais dos condóminos geram discussões intra-familiares onde ninguém se entende. O marido diz à esposa que ela anda a gastar dinheiro a mais em roupas porque vai ás compras todos os dias; a esposa diz ao marido que a culpa é dos óculos de sol novos que ele comprou (óculos que ele andou a cobiçar desde que viu um estrangeiro com eles na praia no último verão); os pais dizem ao filho que vão cortar nos jogos da Playstation porque só gastam dinheiro e ele não tira nenhuma utilidade daquilo.
E no meio destas discussões, há sempre o vizinho do lado interessado nos gritos que vêem de dentro da casa onde não há consenso. Porque a curiosidade é de facto bastante comum.

Até que um dia a desgraça acontece: o vizinho do rés do chão direito ficou sem dinheiro. Depois de muita discussão com a mulher e os filhos, todo o prédio acaba por saber da história.

Cresce então um certo receio que isso vá afectar as contas do condomínio em geral, uma vez que todos têm de contribuir para que os elevadores do prédio continuem a trabalhar. E os elevadores funcionam a dinheiro (e não é pouco!)

Então, os condóminos preocupados (e altruístas também, vá) decidem fazer um mealheiro e ajudar o pobre vizinho falido, já que não arranja crédito em nenhum banco.

Mas daqui surge outra questão, que já foi referida: os condóminos dispõem de uma riqueza heterogénea. E também se sabe que o vizinho do rés do chão esquerdo não tem as finanças familiares muito equilibradas (corre o rumor que foi um presente para o filho: um computador novo e uns legos de um submarino, entre outras coisas). Aliás, até se diz que corre o risco de ficar na mesma situação que o vizinho do seu piso, mas é tudo desmentido. O condómino do rés do chão esquerdo tem tudo controlado.

A pergunta é a seguinte: não será imprudente fazer com que o vizinho do rés do chão esquerdo também faça parte do empréstimo?

Não será imprudente Portugal emprestar cerca de 750 milhões de euros à Grécia?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Encontrou a mãe no Facebook

Notícia:

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=674AFDC5-6AD8-40B8-89E3-6F1A44467C0B&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021


Gostava de ter visto a conversa no chat do facebook. Talvez qualquer coisa como:

Mãe: "Olá, olha acho que sou tua mãe lol"
Filho: "A sério? Epá tenho andado à tua procura xD"
Mãe: "Ya, acho que sou. Tipo eu abandonei um filho recém-nascido pelo que me lembro, talvez sejas tu ahah lol já foi há 23 anos, já me falha a memória LOL"
Filho: "Epá isso do abandono é na boa, fica tranquila!"
Mãe: "Ah ok, então assim fico mais descansada, pensava que ias ficar chateado por te ter abandonado ou assim..."
Filho: "Achas? Agora vamos é marcar um dia para nos encontrarmos e eu resumir a minha vida inteira até agora!"
Mãe: "Não é melhor fazermos um teste primeiro tipo para ver se realmente somos mãe e filho? LOL estou só a sugerir, talvez fosse útil xD"
Filho: "Ya tens razão mãe. Mas primeiro o encontro!"
Mãe: "Ahah okok filho é na boa. Então, o que tens feito?"
Filho: "Epá, muita coisa e tu?"
Mãe: "Também, também :D"
Filho: "Manda-me o teu número por mensagem que eu agora tenho de bazar, vou ter aí com uns amigos. Vá, fica bem mãe, beijinhos"
Mãe: "Ok filho é na boa, depois mando-te a mensagem. Fica bem filho, beijinhos, até amanhã :D"


Vá, agora a sério...As redes sociais mostram de novo o seu poder. Já não se arranjam casamentos online apenas, também se encontram os pais biológicos.

Isto foi só a uma tentativa de adaptar uma conversa que é bastante delicada (pelos motivos óbvios) aos padrões das conversas normais de messenger ou o que for. Só ignorei as abreviaturas escandalosas.

Mas o que se retira disto é o simples facto de o Facebook não servir apenas para domesticar vacas ou peixes nesses jogos tipo FarmVille e afins.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O gene português

Se há coisa que se faz bem em Portugal é a arte dos queixumes.

Português à séria é aquele que se senta confortavelmente no seu sofá com a cerveja na mão a ver o noticiário das 8 da noite, mergulhado numa lamúria constante de que o país nunca esteve pior, que já não é sitio onde se viva sequer.

São queixas de todos os tipos. Ou é o primeiro-ministro que não presta, ou é o filho que nunca quis estudar que não tem emprego em lado nenhum, ou é o empréstimo que foi feito para ir de férias que ainda não foi pago e os sacanas do banco já andam a apertar, ou então, se o dia estiver a correr razoavelmente bem, é o patife do vizinho do andar de cima que tem a música alta como tudo.

Não sei acerca dos outros países, mas esta é uma característica que marca o povo português de tal maneira que já devemos nascer com ela. Já nem devemos reclamar por ouvirmos os outros reclamar, talvez já nasçamos com uma espécie de código genético pré-programado para fazer isso.

Não sei onde isto tudo começou, mas termos sido uma das grandes potências mundiais na época dos Descobrimentos e agora estarmos reduzidos a um rectângulo de pouco mais de 90 mil quilómetros quadrados não deve contribuir para o nosso ego patriótico. Ainda assim os problemas pouco se relacionam com o espaço.

Seja como for, continuam a haver obviamente problemas sérios a atingir o país e isso não deve ser posto de parte de maneira nenhuma. Agora o que é certo é que andar a queixarmo-nos por tudo o que é canto não vai resolver nada do que queremos ver resolvido.

É positivo fazer uma análise das condições sócio-económicas de Portugal e observar as suas debilidades. Positivo é também é propor soluções para essas fraquezas. Quem nada faz para melhorar o seu estado não se devia dar ao luxo de se queixar. Quem nada faz é porque lá no fundo se sente conformado (lá bem no fundo).

Portugal não é feito de aspectos negativos apenas. Há que olhar também para o outro lado e talvez se encontre inspiração para deitar mãos à obra e tentar mudar o que nos incomoda.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Homens do Lixo

Homem do lixo/ Varredor: Profissão temida pela população jovem que não possui grandes habilitações ou perspectivas de futuro.

Esta profissão está longe de ser a mais sonhada pelos jovens que tentam entrar no mercado de trabalho. Homem do lixo é também a resposta que não se ouve as crianças dar quando lhes perguntam o que querem ser quando crescerem. Isto é compreensível, pois não deve ser ambição de ninguém andar pelas ruas a varrer a porcaria dos outros, ou de atrelado a um camião que levanta caixotes e que transportam o seu conteúdo para esses sítios onde o cheiro não perdoa nem o ser mais perfumado.

Esta profissão tornou-se mal vista e há um certo preconceito em torno dela. Só se sugere esta carreira a alguém que de facto não tenha outra hipótese para se sustentar, ou então indica-se apenas em tom de gozo.

Eu cá acho que estes senhores do lixo merecem muito mais respeito do que aquele que recebem. Afinal de contas, a sua função é fundamental para o bom funcionamento da sociedade.

Imagine-se por um segundo um Mundo (basta até uma cidade) sem homens do lixo…Não é difícil de entender que andava aí toda a gente a nadar na imundice da porcaria comunitária (eu não gosto nada da palavra “porcaria”, mas as regras da boa educação são uma força de coacção linguística). Seria o caos total com todas as implicações que isso traria, principalmente a nível da saúde, uma vez que era o cenário ideal para a propagação do mais variado leque de doenças epidémicas.

Portanto o que eu acho é que a sociedade em geral devia ter mais respeito por estes senhores, porque realmente o que eles fazem é fulcral para que possamos continuar a viver tal como vivemos actualmente. Não só para mostrar que realmente há ainda compaixão e amor ao próximo e todas essas coisas, mas também para não irritar estes senhores, uma vez que se alguma vez eles pensarem em convocar uma greve nacional, temos perante nós uma situação bem mal cheirosa.

É preciso ter respeito. E cuidado.