sexta-feira, 16 de abril de 2010

O gene português

Se há coisa que se faz bem em Portugal é a arte dos queixumes.

Português à séria é aquele que se senta confortavelmente no seu sofá com a cerveja na mão a ver o noticiário das 8 da noite, mergulhado numa lamúria constante de que o país nunca esteve pior, que já não é sitio onde se viva sequer.

São queixas de todos os tipos. Ou é o primeiro-ministro que não presta, ou é o filho que nunca quis estudar que não tem emprego em lado nenhum, ou é o empréstimo que foi feito para ir de férias que ainda não foi pago e os sacanas do banco já andam a apertar, ou então, se o dia estiver a correr razoavelmente bem, é o patife do vizinho do andar de cima que tem a música alta como tudo.

Não sei acerca dos outros países, mas esta é uma característica que marca o povo português de tal maneira que já devemos nascer com ela. Já nem devemos reclamar por ouvirmos os outros reclamar, talvez já nasçamos com uma espécie de código genético pré-programado para fazer isso.

Não sei onde isto tudo começou, mas termos sido uma das grandes potências mundiais na época dos Descobrimentos e agora estarmos reduzidos a um rectângulo de pouco mais de 90 mil quilómetros quadrados não deve contribuir para o nosso ego patriótico. Ainda assim os problemas pouco se relacionam com o espaço.

Seja como for, continuam a haver obviamente problemas sérios a atingir o país e isso não deve ser posto de parte de maneira nenhuma. Agora o que é certo é que andar a queixarmo-nos por tudo o que é canto não vai resolver nada do que queremos ver resolvido.

É positivo fazer uma análise das condições sócio-económicas de Portugal e observar as suas debilidades. Positivo é também é propor soluções para essas fraquezas. Quem nada faz para melhorar o seu estado não se devia dar ao luxo de se queixar. Quem nada faz é porque lá no fundo se sente conformado (lá bem no fundo).

Portugal não é feito de aspectos negativos apenas. Há que olhar também para o outro lado e talvez se encontre inspiração para deitar mãos à obra e tentar mudar o que nos incomoda.

1 comentário:

  1. "Português à séria é aquele que se senta confortavelmente no seu sofá com a cerveja na mão a ver o noticiário das 8 da noite" tão típico do português. Bom texto (mais uma vez te digo, davas um óptimo José Rodrigues dos Santos) E obrigada fragoso :D

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